Nosso pitico acabou de completar dois meses, e
já sentimos dificuldade para entretê-lo, pois sabemos que se ele ficar
entediado é bem provável que comece uma sinfonia de choro, com direito a
tossezinhas e soluços. Logo pensamos na internet, um mar de vídeos educativos
que além de entreter nosso bebê poderia ensinar algo, desenvolver seu cérebro
de um jeito que nós, pais, nunca conseguiríamos. Então fomos pesquisar que tipo
de conteúdo seria o mais indicado, e nossas descobertas nos deixaram de boca aberta.
O ensinamento do tempo dos nossos avós, que não
é bom ficar muito perto da TV (e computador por consequência), pois a radiação
emitida pelo aparelho poderia fazer mal, foi o primeiro mito a cair por terra
já que os aparelhos de hoje não emitem radiação suficiente para causar mal algum[1].
Ficamos chocados ao saber que não existe conteúdo que seja bom para crianças de até dois anos, não por causa do conteúdo em si, mas por causa de como o cérebro do bebê se desenvolve e o efeito que as telas (TV, computador, tablets, celulares) causam nesse desenvolvimento, segundo a American Academy of Pediatrics (Academia Americana de Pediatria, tradução livre), é recomendado que o bebê de até dois anos não assista TV[2].
A explicação é simples: o cérebro da criança cresce muito até os três primeiro anos, e a qualidade do estímulo que o bebê recebe influência drasticamente em como o cérebro irá se desenvolver. As imagens produzidas por uma tela não tem significado para a criança, pois ela não consegue fazer associação entre o objeto mostrado na tela (em duas dimensões) com o objeto real, e ao invés de aprender esse processo pode causar danos no desenvolvimento da linguagem, na habilidade de leitura e na memória de curto prazo[3]. Um estudo associa o hábito de bebês em ver TV com o desenvolvimento de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (ADHD, em inglês)[4] quando mais velho, ainda outro estudo mostra que deixar a TV ligada, mesmo quando ninguém está assistindo, tem efeitos negativos[5].
Embora a TV, computadores, tablets, celulares sejam babás baratas e tragam comodidade aos pais, recomenda-se aos pais preocupados com o desenvolvimento dos seus bebês que interajam com seus pequenos. A nossa sociedade evoluiu, mas a melhor forma de aprender ainda é com o contato com outro ser humano. Quando conversa ou brinca com outra pessoa o bebê aprende não só a linguagem,aprende também com a entonação, expressões faciais, recebe estímulo imediato de suas ações, experimenta várias oportunidades de aprendizado social, emocional, intelectual e cognitivo[6].
Segundo a National Research Center for Women & Families (Centro de Pesquisa para Mulheres & Famílias, tradução livre) o melhor que os pais podem fazer é limitar o tempo de exposição dos filhos às telas e incentivar as brincadeiras interativas, como, por exemplo, ao fazerem uma tarefa cotidiana irem explicando o que estão fazendo, descrevendo os objetos com detalhes de cores e formatos, ao escolherem um brinquedo escolham sempre aquele menos automatizado possível (como diz o artigo: ‘quanto mais o brinquedo faz, menos a criança fará’), e caso precisarem passar tempo em frente à TV façam isso de maneira interativa, sempre perguntado o que a criança está vendo ou o que está acontecendo na tela[7].
Achamos interessante divulgar essas informações, pois estamos lendo e conversando sobre bebês durante um ano e nunca ouvimos ninguém falar sobre isso. Ficamos surpresos como algo tão importante para o desenvolvimento de um bebê simplesmente não aparece tão regularmente, sendo assim convidamos todos a divulgar essas informações, complementar essa pesquisa que fizemos com mais informações, ou até discordar dela (a discussão com argumentos é sempre válida), já que estamos aqui para buscar o melhor para nossos filhos.
[1]
Health Physics Society – Acessado em 05/01/2013 - http://hps.org/publicinformation/ate/q1666.html
[2] Why avoid TV Before Age 2 - § 1º – Acessado
em 05/01/2013 - http://www.healthychildren.org/English/family-life/Media/Pages/Why-to-Avoid-TV-Before-Age-2.aspx
[3] Why
avoid TV Before Age 2 - § 3º ao 5º –
Acessado em 05/01/2013 - http://www.healthychildren.org/English/family-life/Media/Pages/Why-to-Avoid-TV-Before-Age-2.aspx
[4] It's Official: TV Linked to Attention Deficit –
Acessado em 05/01/2013 - http://www.whitedot.org/issue/iss_story.asp?slug=ADHD%20Toddlers
[5] Young
Children and Screen Time (Television, DVDs, Computer) § 3º - Acessado em 05/01/2013 - http://center4research.org/child-teen-health/early-childhood-development/young-children-and-screen-time-television-dvds-computer/
[6] Young
Children and Screen Time (Television, DVDs, Computer) § 6º - Acessado em 05/01/2013 - http://center4research.org/child-teen-health/early-childhood-development/young-children-and-screen-time-television-dvds-computer/
[7] Young
Children and Screen Time (Television, DVDs, Computer) § 11º - Acessado em 05/01/2013 - http://center4research.org/child-teen-health/early-childhood-development/young-children-and-screen-time-television-dvds-computer/
Muito Interessante! Já havia ouvido falar nisso, mas sem fontes ou argumentos concretos como os apresentados.
ResponderExcluirVocê comentou é o ideal é limitar o tempo de exposição dos filhos às telas. Chegou a encontrar alguma métrica de tempo máximo por exemplo?
Qto aos brinquedos automatizados que tipo de brinquedo pode não ser adequado? Existem vários brinquedos que 'interagem' com a criança quando ela aperta um botão falando seu formato, número e cor por exemplo.
[]s
Olá Aline,
ExcluirTanto o 'National Research Center for Women & Families'(NRC) quanto o 'HealthyChildren.org' falam em 2 horas no máximo por dia para crianças maiores de 2 anos e nada de TV para crianças menores que 2 anos, essas são as únicas métricas que eu achei na pesquisa, mas emitindo uma opinião nesse caso, eu acho que não vai ser meia hora de TV que fará mal para um bebê desde que os pais compensem com várias horas de contato.
Sobre os brinquedos eles não falam especificamente, mas como foi explicado no artigo do NRC as crianças não aprendem com ensinamentos diretos até os 3 anos, então vídeos ou brinquedos que expliquem as coisas não funcionariam nesse caso, pelo o que eu entendi a criança até os 3 anos aprende muito com a experimentação, ou seja, ela levantar o brinquedo e derrubar no chão vai ensinar muito mais do que um brinquedo que explique algo para ela, mas confesso que achei muito interessante o brinquedo que você falou, acho que vale uma pesquisa mais aprofundada sobre os brinquedos e as idades.
Obrigado pela sua participação.
Abraços,
Andre
Gostei muito do texto. Parabéns!
ResponderExcluirQuando pesquisei escolas para a Laura, optei por escola sem TV na sala. Varias escolas colocam TV ligada o tempo todo. Hoje, ela tem aula de vídeo, geralmente galinha pintadinha, por 20min. A ideia é cantar as músicas, aprender os passos/gestos. Em casa, não tem interesse por TV. Assiste galinha pintadinha por uns 20min no computador e não é todo dia. Às vezes, fica dias sem ver. Quando percebi o interesse por galinha pintadinha, a Laura pedia para assistir varias vezes (foi o único DVD que teve interesse ate hoje). Deixo os brinquedos disponíveis o tempo todo. A sala virou o parquinho. Acho que os DVDs são legais mas tudo na medida (20min é um tempo bom). Quando estava de licença, eu tinha um baú pequeno com vários objetos. Colocava a Laura na cadeirinha de descanso e tirava um a um - O que será que tem aqui? Eu tinha a sensação que ela não prestava atenção mas fazia assim mesmo...de 5 a 10 min. Amarrei um pedaço de pano bem colorido em uma colher, enrolava e soltava. Tinha uma mola coloria que eu brincava de um lado para o outro. Tinha chocalho, com som baixo, colocava de um lado do ouvido e depois, do outro. Um paninho fino tampava o rosto e tirava. Mexia no pezinho, nas mãos. Falava das partes do corpo, mostrava algumas letras e números, colocava objetos na mão, quando começou a fechar a mão, colocava um pedaço de fita e outro na minha e puxava de leve, etc. Usava o tapete de atividades – de barriga para cima e para baixo - eu mexia nos objetos, emitia os sons, explicava, etc. Em vários locais, recebi a dica de deixar o bebe de barriga para baixo. No começo tem choro e não querem. Coisa de 5min no máximo, depois o tempo aumenta. Colocava objetos na frente, mesmo q ela não conseguisse pegar. Aos poucos é o pescoço que levanta, a mão que tenta pegar o objeto. Se não tiver tapete pode colocar uma colcha, pode usar a mesa e ficar na mesma altura da criança. Quando a Laura fez 3 meses, colocamos em uma escolinha de estimulação – recomendo não fazer o pacote de 6 meses. Faca um mês e veja se quer renovar. Conseguimos ir toda semana por uns dois a três meses. Depois, com a minha volta ao trabalho e a rotina da creche, foi impossível. Estas escolinhas ajudam a dar dicas de brincadeiras, e uma forma de interagir com outras crianças e pelo menos para mim, era uma forma para eu sair, conhecer outros pais, ver outros bebes...foi legal a experiência.
Ah! Bebe que tem refluxo, como foi o caso da Laura, ficar de barriga para baixo ou para cima, às vezes eh complicado. Para minimizar, colocava uma almofada de apoio e sempre uma toalha pequena forrando. Ela ergueu o pescoço com u m mês, então colocava a almofada na altura do peito. http://www.lojaanjodaguarda.com.br/produto/361/julia+travesseiro+para+bebe
Na época, eu senti a mesma necessidade que vocês e ao pesquisar na net, a ideia do baú foi a mais legal que achei. Não precisei comprar nada. Tudo tirei de casa ou de presentes. Depois, o baú cresceu. Hoje são dois baús enormes e ela já escolhe os brinquedos hahahaahaha
Oi Lu,
ExcluirEsses dias eu e a Renata estavamos conversando sobre as escolinhas, realmente pagar para o bebê ficar vendo TV não parece muito certo, assim como sua pesquisa pretendemos olhar para escolinhas que não tenham TV ligada o tempo todo.
Gostei demais da ideia do baú, vou atrás de um para o Greg, legal também a técnica de tirar e colocar os brinquedos no baú, encaixa bem no conceito de estimulação e de não usar brinquedos automatizados.
Sobre as escolas de estimulação eu nunca tinha ouvido falar, vou atrás disso... obrigado pelas dicas e a participação.
Abração prá vc, para o Neimar e prá Laurinha... : )
Dica para as futuras mamães - ler sobre a gravidez eh essencial mas deixe um tempo para ler sobre a rotina do bebe, papinhas, amamentação, brincadeiras, como estimular o bebe, dificuldades com sono, alimentação, etc. Quando a Laura nasceu, eu vi que li muito sobre gravidez e pouco sobre o pós-nascimento -. Para mim, era impossível ler livros apos o nascimento. Acho que ate hoje hahaahaha
ResponderExcluirHahaha... acho que ai entra mais um trabalho para os pais, enquanto as mães amamentam os pais correm atrás das informações... : )
Excluirboa!! faz uma diferenca quando os papais ajudam.
ExcluirGostei das dicas! Muito bom! Vou executar todas... gostei da brincadeira da colher e do paninho... valeu demais! mais infos pls!!! sou pai de primeira viagem :-)
ResponderExcluirUm sugestão seria se inscrever para receber avisos de novos posts, assim sempre que publicarmos algo você recebe um e-mail. Bem vindo a paternidade, fico muito feliz de ter outro pai participando, assim não fico perdido sozinho no meio de tantas mães !!
ExcluirO curso que fizemos:
ResponderExcluirhttp://www.boobambu.com.br/site/atividades_criancas.asp?id=29&mostrar_atividade=true
Na epoca, tinha aula de musicalizacao com uma professora do programa "music together". Uma pena que foram apenas duas aulas. Gostei bastante, principalmente a musica hello song.
http://www.musictogether.com/ListentoOurSongs
toda sabado era uma atividade diferente com o bebe.
outra coisa legal, shantala!! vale a pena inserir na rotina.
A UNB oferece curso de musicalizacao para bebes e criancas. Estamos na lista de espera:
http://manualdefilhos.blogspot.com.br/2009/10/musica-para-criancas.html
Dica sobre escolas: comece a visitacao. Muitas creches tem lista de espera. A escolha da creche merece um post a parte.
Puxa... fiquei com vontade de morar em Brasília... hehehehehe, devem ter lugares assim em SP, vou procurar...
ExcluirA Renata faz uma massagem no Greg, mas não sei se é essa mesma (Shantala)...
Abraços,
Andre